SEXO & AFETO
Aquilo que você quer saber e não teve com quem conversar

 

Ana P. Fraiman

14x21cm
280 páginas

R$ 25,00 - E-BOOK

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Apresentação
Em seu livro, Ana Fraiman devolve à terceira idade a voz e a vez, não como defensora, mas como ouvinte atenta e cúmplice. Corajosamente, vai ao âmago da questão, restituindo aos idosos seu status de cidadãos, seu direito a ter uma identidade e — ousadia bem maior — ter uma sexualidade. Numa linguagem viva, que flui, envolve e enternece, Ana derruba o tabu do prazer na velhice, com pitadas certeiras de amor e humor.
Sexo e Afeto na Terceira idade não pretende esgotar o assunto, mas abre uma porta para a sua discussão franca. Não se baseia em pesquisas rigorosas nem em dados e estatísticas. Fruto da profunda experiência da autora, é um livro de emoção e histórias, histórias contadas pelos próprios velhos. Defendendo a importância sublime do tato, o mais erótico de nossos sentidos, Ana diz: “O corpo que dói por causa de artrites é um corpo carente. Pede abraço, quer chamar a atenção. O corpo não abraçado acaba gritando. Os gritos assumem a forma de dores. Mais do que dar prazer sexual a si e ao outro, tocar o corpo è criar sua própria existência”. Ana tem razão: o tato opera o milagre do voltar a ser. Sara feridas e ampara. O tato embeleza o que os olhos tentam aviltar. Que linda mensagem! Parabéns.
Uma única ressalva. Ao longo dos capítulos, uma coisa parece clara: ser um velho senhor é bem diferente do que ser uma velha senhora. O livro está cheio de exemplos de homens que refizeram sua vida com “moças de fino trato”, vinte, trinta e até quarenta anos mais jovens. Por outro lado, as mulheres idosas ré tratadas no livro dificilmente encontram um parceiro e se contentam com um galanteio, um baile, uma roupa coque-te. Eles vivem. Elas deixam a vida passar e, para variar, sonham. Quando não sonham... se vingam de um marido infiel e convidam, para o velório do de cujus, seu numeroso harém... Quem pode, pode. Quem não pode se vinga. Sem querer ser vulgar e já sendo, uma mudança de consoantes daria um ótimo trocadilho, não é?
Enfim, o livro às vezes sugere um duplo e imutável destino. E os versos singelos de Cora Coralina (citados num dos capítulos) deixam esse duplo destino evidente: “Quando vejo certos moços, suspiro meus tristes ais. Ou eu que nasci muito cedo. Ou eles, tarde demais”.
Vamos afastar a tristeza... Exemplos são apenas exemplos. Histórias, mesmo verídicas, são apenas histórias. Cabe a pergunta: a amostra apresentada por Ana espelha uma realidade nacional? Admitindo que espelhe, essa realidade já não está em transformação, pelo menos no que diz respeito à nossa pequena mas ativa classe média? Afinal, as meninas que viveram seus 20 anos na década de 60 serão consideradas idosas ao nascer do terceiro milênio. Elas revolucionaram uma geração. Usaram biquíni, não espartilhos. São da era da pílula, cursaram faculdade, batalharam seu lugar ao sol no trabalho. Tudo bem, trata-se de uma minoria privilegiada, mas são as minorias que mostram caminhos, antecipam tendências, formam opinião, mudam o mundo. Senti falta da força que essa minoria transmite. Uma última pergunta: quando os jovens de hoje chegarem à terceira idade, ainda existirá o duplo destino? As velhas senhoras serão tão diferentes dos velhos senhores? Sinceramente, acredito que não.